05/11/2010

Zumaluma - Canto Cultural NH²Z - Núcleo de Hip Hop - Muçulmanos e não Muçulmanos pelo mesmo ideal.



A Associação Zumaluma é uma organização não-governamental registrada sob o CNPJ 06.143.426/0001-80 e sediada à Rua Cerqueira César, 703, Jardim Santa Tereza, em Embu das Artes - Estado de São Paulo - constituindo o Canto Cultural NH²Z - Núcleo de Hip Hop Zumaluma - e oferecendo à comunidade local um espaço com atividades sócio-culturais e educativas gratuitas, há mais de 10 anos. O Núcleo de Hip Hop Zumaluma - NH²Z - realiza oficinas de hip hop e seus 4 elementos - MC, DJ, Dança de Rua Break e Graffiti - música, idiomas, percussão, capoeira, produção musical, entre outras, e conta também com programação cultural de qualidade em seu palco, visando utilizar a linguagem do hip hop como instrumento de arte-educação para a formação de crianças e jovens, e também, tornar o Jd. Santa Tereza e a Zumaluma um pólo cultural referência no hip hop nacional. Em agosto de 2010, um grande passo: o Ministério da Cultura do Governo Federal contemplou a Zumaluma como Ponto de Cultura.



NOSSA HISTÓRIA

A história da Associação ZUMALUMA teve início em 1998, quando César Mateus Rosalino - presidente da associação - sentiu a necessidade de criar um espaço de fomento à cultura, à educação e ao lazer, dentro da Favela do Inferninho, uma das mais carentes da Estância Turística de Embu das Artes - SP, localizada entre os bairros Jardim Santa Tereza e Santarém. Percebendo a necessidade de tornar a leitura mais acessível à comunidade, em especial às crianças e adolescentes, um precário e abandonado barraco da favela foi reformado para sediar o projeto inicial da Biblioteca Zumaluma.














César, conhecido no meio artístico como "Vulto", ou "Kaab", atua no movimento Hip Hop desde 1988, quando criou um dos primeiros grupos de rap da região. A partir de então, tornou-se importante figura desta cultura, trabalhou com artistas de renome da música nacional, e logo conseguiu conquistar o envolvimento da comunidade. Consequentemente, teve o apoio dos amigos e artistas GOG, Sérgio Vaz, Rappin Hood, Záfrica Brasil e O Rappa, e ainda, de militantes do movimento negro e da comunidade local.
Este último teve papel fundamental até mesmo para a criação do nome da Associação ZUMALUMA, formado pelas iniciais de Zumbi dos Palmares, Malcom X, Martin Luther King e Nelson Mandela, ícones da luta pela igualdade de direitos do negro na sociedade.












Com pouco apoio da administração pública ou de entidades privadas, a Zumaluma manteve suas atividades com a ajuda financeira de diversos artistas que se solidarizaram em contribuir. Na busca pela sustentabilidade dos projetos e de novos empreendimentos para uma contínua expansão de seus horizontes, a Zumaluma também estabeleceu como diretriz uma gestão democrática e aberta à participação da comunidade, visando realmente empoderar e representar a comunidade como um todo.
Assim, constituiu-se juridicamente no início dos anos 2000, quando já oferecia diversas oficinas no próprio espaço da biblioteca, com aulas de Hip Hop e seus quatro elementos - DJ, MC, Break e Graffite - teatro, idiomas, informática, capoeira, música, percussão, entre outros. A Zumaluma, único refúgio cultural para as crianças da Favela do Inferninho, tornou-se referência, recebeu o "Troféu Cooperifa - Projeto Revelação e Resistência", realizou intercâmbios com outras entidades, como a Brother System (Estados Unidos) e ganhou visibilidade, inclusive na mídia, com destaque para participações em programas de televisão (como no canal Futura) e nos documentários “Do outro lado da ponte” (Marta Baião, 2005) e “Rap e Repente” (Andréia Tolentino, 2009).

Zumaluma no canal Futura


Apesar dos altos e baixos financeiros, a distribuição massiva de alimentos e brinquedos se tornou praxe em datas como Natal e Dia das Crianças, e os frutos das atividades começaram a se tornar cada vez mais sólidos, com destaque para a formação, em 2002, do grupo mirim de percussão das oficinas BatucaZuma, que hoje forma o Bloco carnavalesco Zumaluma e tem lugar garantido nos desfiles da região. Ainda, outras parcerias com a prefeitura de Embu das Artes permitiram a realização de ações pró-cidadania na luta contra a AIDS na escola, debates sobre temas como preconceito, discriminação, diversidade social e racial, meio ambiente, saúde, e violência sexual e doméstica.



Em 2009, ganha destaque a expansão do projeto Literarua, desenvolvido na rede pública de ensino com aulas de graffiti e poesia, contemplado em primeiro lugar pelo programa de fomento à cultura "ProJovem", dos Governo Municipal e Federal. Também, ainda em 2009, a Associação Zumaluma participa ativamente da criação do Fórum de Hip Hop da Região Sudoeste de São Paulo - MR13 - que conquistou a inserção do palco Hip Hop na Feira de Artes do Santa Tereza, evento que reúne anualmente - em novembro - milhares de pessoas de toda a região, contando com shows de artistas locais, nacionais e internacionais dos diversos segmentos da música.



No início de 2010, com a reintegração de posse do imóvel na Favela do Inferninho, a Zumaluma muda-se para a Rua Cerqueira César, 703, localizada no coração do Jardim Santa Tereza, visando dar continuidade aos projetos desenvolvidos no decorrer dos mais de 10 anos de sua história. Assim, a Zumaluma instala-se estratégicamente em local de fácil acesso e cria o Canto Cultural NH²Z - Núcleo de Hip Hop Zumaluma.








Após alguns meses de investimento e preparação do novo espaço, o Canto Cultural NH²Z é inaugurado definitivamente, em Abril de 2010. O evento de inauguração reuniu centenas de convidados, bandas, artistas, coletivos e figuras públicas em prol de uma nova fase para a Zumaluma, agora com espaço ampliado para as mais de 10 oficinas que ocorrem entre as terças e sábados, como as de Hip Hop e seus quatro elementos - DJ, MC, Break e Graffiti - produção musical, música, percussão, capoeira, inglês, espanhol e alfabetização digital, e ainda, palco com estrutura para receber bandas e artistas.

O resultado de todo este trabalho foi a parceria com o Ministério da Cultura, que contemplou a Zumaluma como Ponto de Cultura, em agosto de 2010. Assim, a Zumaluma, por meio do novo Canto Cultural NH²Z, continuará buscando a ampliação de sua estrutura e melhorias em recursos e projetos, visando cada vez mais fazer parte da formação das crianças e jovens do Jardim Santa Tereza e proporcionar o enriquecimento cultural da comunidade, abrindo novos caminhos e perspectivas de vida para um futuro melhor na nossa quebrada, convidando a periferia e todas as quebradas para se unir pelo HipHop e suas causas.

By: Zumaluma - Jihad

Rashid Bhikha






Rashid son of famous singer/songwriter Zain Bhikha made his singing debut back in 2002 on his fathers album ‘Our World’. Since then he appeared on Yusuf Islam’s I Look, I See album gaining him popularity worldwide. Then, Rashid was 10 years old, now at the age of 13 he records the song ‘Can’t U See’ a departure from his usual style but one which he thoroughly enjoyed especially when the message is one that we all truly need to hear.

Rashid tours extensively with his father giving a youthful alternative to the audiences who come to the shows. His experience for a young man is vast being one of the few teenage nasheed artists to perform at esteemed venues like the London's Royal Albert Hall in front of sell out audiences; this, coupled with working closely with Yusuf Islam who wrote "Your Mother" (which appeared on I Look, I See) which later was sung by Rashid shows the calibre of his artistic capabilities.










He is greatly admired by Yusuf and many of the other artists and his debut album "Allah Knows" features not only his father but also close friend Dawud Wharnsby Ali and Abdul-Malik Ahmad of Native Deen.Away from the stage Rashid is an avid footballer and balances his life of touring well with his commitment to school and family life being a great role model to his two younger brothers.


By: Muslim Hip Hop

Mohammed Yahya


MOHAMMED YAHYA Born in Mozambique, S.E Africa, Mohammed yahya was forced to leave the country during civil war. Having moved to Portugal, the young Mohammed yahya began to show an interest in music, partly due to his fathers influence as a singer. Being surrounded by poverty, Mohammed yahya used music and poetry to channel his thoughts, energy and emotion in a positive manner. Early Hip Hop influences were from Run DMC and De La Soul, but more broadly Mohammed Yahya drew on influence from African music (Kizomba, Funana, Marabenta), while in Mozambique and after he had moved to Portugal. Later, having moved to London, Mohammed yahya met Ironbraydz and joined Geneva Konvention.





After Geneva Konvention spilt Mohammed yahya and Ironbraydz formed Blind Alphabetz, to focus their musical attention on. The conscious and politically charged duo have been likened to Public Enemy among others. Mohammed Yahya also impressively delivers soulful street poetry with hair raising honesty in both Portugese and English. Mohammed yahya, who in the past also studied Buddhism, converted to Islaam following an eye-opening trip to Gambia where he was touched by the peace and unity of the beautiful people he met there. This religious influence is obviously a big influence to Mohammed yahya when you hear his spiritual rhymes. Mohammed yahya's ideology goes further than just his music and he is the first to say that if not involved in hip-hop he would be doing youth work (which he is already involved in) and ¡s trying to liberate enslaved minds through other means¨. With the combination of Mohammed Yahya's wise spiritual rhymes, his healthy attitude to life and his unboundless energy, there is no doubt he is a force not to be reckoned with. SILENT LECTURES THE MIXTAPE OUT SOON...


By: Muslim Hip Hop

Ms. Latifah


Born in Los Angeles, California, Latifah was always ready to perform. As a child, her mother would make up songs for her to sing at family reunions, making sure she wasn't afraid of the spotlight. As she got older, she found other passions that led her to put down the microphone and pick up some sticks. Latifah played the drums for Redan High School's marching band, in Stone Mountain, Georgia. She then parlayed her talent into a band scholarship to attend Clark Atlanta University. Latifah can sing, rap, and write poetry. She has been writing music since she was ten years old. After deciding to showcase her talent, she has been performing regularly around Atlanta's hot spots. "I perform because there are few young, African-American women that are not conforming to society's expectations. I want to be the one to prove that you can be yourself and still get support." Latifah wants her words to be felt and not just heard. Her first album, entitled "They Call Me Crazy", is a compilation of spoken word, hip-hop, r&b, and neo-soul flavor. "Radio" is her first recorded song that was inspired by a radio morning show who exclaimed they would never play poetry on the air. Latifah is determined to change their minds.





By:Muslim Hip Hop

Imam Jihad


Let me go on record stating that I bear witness, I declare, and I attest that there is no god or deity worthy of worship except Allah. And I bear witness and I declare, and I attest that Muhammad is the messenger, servant, slave and the seal of the prophets of Allah.

As you sit in the comfort of your home reading and listening to this, I sit in a maximum security state prison where I've been since 1996. As a Muslim, while I wish that I could say that my incarceration is a miscarriage of justice, I can't, because too as a Muslim I must stand firm on a word of justice--even against myself. At the time of my arrest I was so far off the path that Shaytan did not even need to whisper, I was my own soul's greatest enemy. I said that justice was not miscarried with regards to my conviction, however- it was definitely a justice with birth defects with regards to: 1) How my conviction was obtained, and 2) the length of the sentence.

In a way, the very fact that I am here is another sign and proof of Allah's mercy. I can not fathom another set of circumstances that would have reminded me of the affirmation of Shahada I had made as a very young man. Alhumdulillah, I can say now that not only am I a Muslim with a firm handhold on the rope that Allah has extended to us called Islam, but too I am the resident Imam for the community here in this prison, Allahu Akbar! My journey has taken me from inmate to Imam. What you hear on this CD, in my humble opinion, is the one gift from Allah (swt) that I haven't totally squandered. InshaAllah the entire project will be ready on Eid ul-Adha. It is all deen related hip hop for daw'ah, and where it's not deen related, it deals with issues of social consciousness- you'll never find yourself wondering if I'm a Muslim. Finally, note that if you purchase all or none of this project, I say a du'a for you, O ummah of Muhammad (saw), I humbly ask you to say one for me. Wa alaikum asalaam, Imam Jihad.

By: Muslim Hip Hop

Poetic Pilgrimage


Poetic Pilgrimage are an exciting female Hip Hop and spoken word duo from the UK who are set to take the world by storm with their unique sound, intelligent lyrics and unparalleled charisma. They are a rare act, being one of the few Muslim female outfits around and are unafraid to express themselves through the art of rhyme.

Poetic Pilgrimage brings a refreshing perspective on issues of identity, immigration, and global politics and as one of the very few Muslim, female Hip Hop acts in the world, their music reflects this unique experience. The world has much to learn from the lyrics of these two women.

Muneera Rashida and Sukina Abdul Noor were both born in Bristol to Jamaican parents, and have been performing together as Poetic Pilgrimage for 6 years. The early part of their career saw them as favorites on the London poetry circuit where they performed alongside some of the biggest names, placing them at the forefront of the fast-growing International Muslim Hip Hop scene. They use their music to unite their community with the greater hip-hop and music scene.







Their musical goals are to make progressive Hip Hop music that fuses their African and Caribbean roots with their musical tastes such as Jazz, Afrobeat, Soul and beyond, providing a creatively comparable backdrop to their message of peace, unity and freedom.

The group has toured all over Europe and the United States and have performed alongside artists such as Talib Kweli from the USA, K’naan from Somalia and Mutabaruka from Jamaica. They have received critical acclaim and press coverage from many of Europe's most notable publications.

Whether helping youth learn to write heartfelt poetry, or rapping at the most male-dominated Hip Hop venues, Poetic Pilgrimage has become one of the most well-known and well-respected Muslim hip-hop crews in the world.

By: Muslim Hip Hop

Muslim Hip Hop - Native Deen


The story of Native Deen is an inspiring one that began with three Muslim youth possessing unique talents and a passion to spread the uplifting message of Islam. Originally solo artists and active participants of their communities searching for creative ways to educate and inspire Muslim youth, today Native Deen has become a fusion of Hip-hop and R&B flavors, thrilling fans with their eclectic and unique combinations of lyrics, rhythms and sounds. The trio made up of Joshua Salaam, Abdul-Malik Ahmad and Naeem Muhammad came together in 2000 and has embarked upon a professional career in the music industry together in order to highlight issues confronting Muslims living in America.

These three young African-American men who were raised as Muslims in America have emerged as one of the leading Islamic Nasheed groups and have inspired an international fan base. Drawing their own inspiration from the message of Islam, Native Deen’s music calls listeners to keep the faith, to live better lives, and to NOT succumb to the pressures and temptations of modern society.





The band has inspired millions of Muslims and non-Muslims of all ages and ethnicities from around the world. Native Deen has toured more than 60 cities in America, Africa, Asia, Europe and the Middle East, promoting Islam. Native Deen’s decision to solely use percussion instruments in their music has lead to the creation of one of the most evocative audio efforts. With powerful beats and thought-provoking lyrics, their music will strike a chord with fans of hip-hop and R&B.


By:Muslim Hip Hop

10/08/2010

Islã conquista seguidores nas periferias brasileiras.


O Islã ganha terreno no Brasil. Esta é a manchete de uma reportagem publicada  pelo diário francês  Le  Figaro  sobre  o  aumento  do  número  de  muçulmanos nas periferias do Brasil.

Em entrevista ao jornal, o professor da Universidade Fluminense, Paulo da Rocha Pinto,  estima que há cerca de 1 milhão de fiéis no país.  O  número  não é preciso porque no censo  brasileiro a religião é classificada como “outras”. Ele lembra que os primeiros muçulmanos que chegaram ao Brasil foram escravos africanos. Várias  revoltas  na  época teriam propagado uma  desconfiança em relação à religião.

O jornal francês lembra que apesar da imigração muçulmana de libaneses, sírios e palestinos no século  20,   a primeira  mesquita  no Brasil  só  foi  inaugurada  em  1960. Segundo Le Figaro, a motivação  das  pessoas  que  buscam o  Islã  no   Brasil é diferente das que procuram as igrejas evangélicas. 

Elas   descobrem  uma  religião  mais  aberta  ao  mundo,   dizem   os especialistas. Eles  observam  ainda  que  a mensagem  de  igualdade  racial   e   de justiça  pregada  pelo  Islã é   um  sucesso   entre  as  comunidades  mais  pobres,  principalmente  entre  os  jovens vítimas do racismo e da violência policial.

O  Islã   viabiliza  o acesso  dos jovens  de  periferia à cultura,  pois  para  ser  um  muçulmano  o indivíduo  necessita  estar   em   constante  estudo  não  apenas  da religião, mas da língua árabe, por   exemplo,  entre outras disciplinas.  

O   rapper   Função do grupo DiFunção ,  é    um  destes exemplos,  o MC se converteu e fundou o  NDIB –  Núcleo  de  Desenvolvimento  dos Estudos Islãmicos Brasileiro.

“O veículo que mais aproxima o Islã dos jovens é o rap, já que temos vários representantes convertidos, como norte-americano Mos Def, por exemplo, e recentemente o rapper Scarface”, afirma Função.

Brazil: Islam on the rize in favelas


Para estes jovens pertencentes às classes populares (hoje emergentes),é uma maneira de adquirir informação e se sentir inserido num contexto social,   que não  o obriga a  cortar laços ou contatos com pessoas que não façam parte   da religião.


Fred Hampton Jr. é filho do líder dos Panteras Negras


Fred Hampton Jr. é filho do líder dos Panteras Negras – organização criada nos anos 60, nos Estados Unidos, que defendia teses como o pagamento de compensação aos negros pela escravidão.

Hampton, assim como o pai, passou vários anos preso nos EUA, e dentro da cadeia fundou o POCC (Prisioners of Conscience Committee, em português: o Comitê dos Prisioneiros de Consciência), que defende a idéia de que os detentos são presos políticos, já  que  a grande massa carcerária é resultado do descaso do ESTADO. 

Muçulmano,   Hampton  esteve  no Brasil   para   participar  de  uma série  de  discussões  promovidas  pelo  NDIB,  em 2007.

Com uma abordagem e uma política de resultados muito mais palpáveis do que os ensinamentos evangélicos  (febre religiosa em presídios e quebradas)  ou católicos,  o Islã cresce no Brasil e prepara a auto estima destes jovens, atrelando a evolução do indivídio ao desenvolvimento de uma consciência da responsabilidade pela situação politico-social do país.

Assista a entrevista do DiFunção feita pelo rapper carioca Fiell, que representa o Morro da Dona Marta, no Rio de Janeiro e desenvolve o projeto online de TV chamado Visão da Favela Brasil.

Programa de TV Visão da Favela Brasil




17/06/2010

Vanguarda do Rap Nacional

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20/05/2010

Islam Brasil



Instituto Latino Americano de Estudos Islâmicos

Os Motivos da Criação do Instituto.

O Brasil é o maior país da América Latina, tem uma extensa área com oito milhões e meio de quilômetros quadrados e uma população acima de 189 milhões.

Aqui vivem mais de um milhão de muçulmanos e apesar de existência de 120 centros islâmicos existem apenas 50 divulgadores, onde poucos falam a língua portuguesa e poucos são capacitados para atuarem como divulgadores por falta de conhecimento a respeito da jurisprudência Islâmica.

A tentativa de enviar pessoas para estudarem no mundo islâmico não tem dado resultado suficiente para atender esta necessidade, nasceu então a idéia de preparar divulgadores dentro do Brasil, os quais falam a língua local, conhecem a cultura do povo e seu modo de pensar e viver.
Por tal razão criou-se o Instituto Latino-Americano de Estudos Islâmicos para atender as seguintes necessidades:

1. A falta de existência de instituições acadêmicas de ensino religioso no Brasil e na América Latina;

2. A necessidade de desenvolver mecanismos de ensino religioso Islâmico de acordo com a tecnologia moderna da comunicação;

3. A existência de dificuldades para aprendizado de ciências da religião Islâmica devido às dificuldades da vida e suas complicações sócio-econômicas;

4. A existência de poucos divulgadores que falam a língua portuguesa no Brasil e na América Latina de modo geral;

5. A necessidade de preparar divulgadores do Islam capacitados de exercer um papel de liderança no Brasil e na América Latina.


Definição do Instituto Latino-Americano de Estudos Islâmicos

Criado em 15 de maio de 2008 na sede da Sociedade Beneficente Muçulmana de Maringá, o Instituto é uma instituição acadêmica para ensinar as ciências islâmicas na sua sede ou à distância, e tem como objetivo formar um quadro de divulgadores destacados no Brasil, de acordo com métodos científicos modernos.

Objetivo:

I – Seguir a metodologia do Alcorão e da Sunnah (tradição) do Profeta Mohamed (S.A.S).

II - Promover a divulgação do Islam no Brasil e exterior de uma forma moderada;

III - Preparar divulgadores para divulgar o Islam;

IV - Promover a pesquisa histórica sobre a presença do Islam nas Américas;

V - Promover o diálogo e a cooperação entre os adeptos das religiões nos valores humanitários em comum;

VI - Promover o intercâmbio entre instituições acadêmicas no mundo Islâmico e o Brasil;

VII - Desenvolver cursos em módulos sobre o Islam para diversas faixas etárias;

VIII - Desenvolver cursos específicos sobre o Islam para o ensino religioso no Brasil;

IX - Apresentação do Islam junto aos meios políticos, sociais e na mídia brasileira;


Administração

Administra o Instituto um grupo de sábios e divulgadores especializados em ensino e metodologias de ensino, de diversas Instituições acadêmicas entre eles:

• Sheikh Nader Abel Aziz Muhammad An-Nouri , Secretário Geral da Sociedade Beneficiente de Abdallah An-Nouri no Kuaite, membro fundador do Instituto e Presidente do Conselho;

• Dr. Sheikh Ahmad Muhammad Ahmad Salem Al-Hammadi , professor na Universidade Islâmica de Qatar, membro fundador do Instituto e membro do Conselho;

• Sheikh Sami Saad Bilal Abdullah, especialista em estudos Islâmicos do Ministério de Awqaf e Assuntos Religiosos do Estado do Kuaite, membro fundador do Instituto e membro do Conselho;
• Dr. Sheikh Mohamed Elgasim Abu baker Hamdan Arruhaidi, doutor em teologia Islâmica, enviado da Liga Islâmica Mundial para o Brasil, Professor representante da Universidade Islâmica Americana Internacional, membro fundador do Instituto e Diretor Acadêmico;

• Professor e Divulgador Abdelbagui Sidahmed Osman, membro fundador da Organização Islâmica para América Latina e o Caribe, membro fundador do Instituto e Diretor Executivo.


As Vantagens em estudar no Instituto;

1. A clareza na metodologia de ensino na recepção, compreensão, conhecimento e na ação;

2. Adotar a moderação e a simplificação, longe de qualquer exagero ou radicalismo na abordagem da religião;

3. Os professores que vão ensinar no Instituto são escolhidos entre os melhores nas áreas de ensino da Jurisprudência Islâmica, educacional e lingüística ;

4. Aproveitamento da tecnologia de comunicação moderna no serviço de ensino do Islam a distância via Internet;

5. Gravação do conteúdo das matérias em Cd’s e DVD’s;

6. Diminuição dos custos e disponibilizar o ensino do Islam com menor gasto possível;

7. A aplicabilidade das matérias ensinadas na realidade vivida pelos muçulmanos no Brasil e na América Latina além da simplicidade na avaliação;

8. A flexibilidade do sistema de Ensino, de modo a permitir que o aluno torne adequado seu programa de aprendizado com a sua situação sócio econômica.





Fonte:www.academiaislamica.org.br

19/05/2010

"Soldados de Deus"


No contexto da mídia, os soldados da expressão "de Deus" traz muitas fotos à mente: os atentados suicidas terroristas, decapitação... Antes de tudo o que no final dos anos 90, os soldados de Deus era um grupo de jovens muçulmanos a fazer música para espalhar a mensagem do Islã. Soldados de Deus foi um dos primeiros, se não o primeiro grupo de hip hop islâmico há colocar suas músicas na rede e receber maior atenção.

Embora a maioria das pessoas possam pensar: "Soldados de Deus" foi o nome escolhido para simbolizar a violência, isso não foi o caso: "Nós éramos jovens, energéticos, e achamos que soava como um nome legal. Eu acho que realmente não era pensado e se eu pudesse voltar atrás e mudar isso, eu faria. O nome poderia facilmente ser mal interpretado, porque soa demasiado militante, algo que definitivamente não estavam ", disse o fundador do grupo. O que tem intrigado os fãs extremamente leal de Soldados de Deus é porque o grupo de repente desapareceu no ar. Alguns pensam que foram silenciados pelo governo, dada partida da banda da rede logo após o 11 de Setembro.Na verdade "O projeto só foi concebido como projeto temporário.

 O objetivo não foi montar uma banda de música e até ganhar dinheiro, mas sim usar a ferramenta de música para passar a mensagem do Islã. Depois de um tempo, percebi que a música foi aumentando as emoções das pessoas, ao invés de fazê-los pensar. Esta não era minha intenção então decidimos que a ferramenta de música podia não ser necessariamente a melhor ferramenta para uso. Além disso, já que não havia direitos autorais com a música, as pessoas começaram a tomar aleatória as músicas, colocar fotos de outras pessoas sobre elas, e reivindicando que eles eram soldados de Deus. Hoje, você vai encontrar diferentes sites sobre os soldados de Deus que são autorizados por Soldados de Deus e afirmam que eles são soldados de Allah ".

Depois que os soldados de Deus deixou a rede logo após o 11 de Setembro, muitos fãs ainda sentiam que teriamos apoiado um ataque sobre a não-muçulmanos. Isto provou ser uma outra mentira: O 11 Setembro foi uma tragédia... Mais uma vez, depois de toda a matança, o que foi realizado? Nada. Terrorismo não tem nada a ver com o Islã e qualquer muçulmano que diz que faz, não entender o Islã ".

O fator mais atraente para a maioria dos fãs de Soldados de Deus era o seu ponto de vista inflexível sobre o estado islâmico e absoluta condenação da maioria dos governantes do mundo muçulmano e não-muçulmanos. Muitos anos depois, os pontos de vista claramente mudou: "Eu era novo ao Islã e eu só fui realmente expostos a um método de pensar. Eu estava cercado por pessoas que pensavam da mesma maneira. Ao longo do ano, tive tempo para pensar e refletir, e agora eu percebo que o problema com a Ummah é que não seguem o Islã. O que você vê hoje na imprensa são apenas os sintomas do que acontece quando você não segue o Islã a forma como o Profeta (saw) nos mostrou como segui-lo. Em vez disso, temos os muçulmanos fazendo e dizendo coisas malucas que não têm nada a ver com o Islã, mas alegando que se trata do Islã ".

O grupo teve seu quinhão de ódio e-mail de não-muçulmanos que ouviram suas músicas no MP3.com. Em termos de ouvintes de seus compatriotas muçulmanos, o retorno foi muito diferente: "Alhamdulillah, recebemos uma grande quantidade de feedback positivo. Embora muita gente se emocionou com a canção, ainda havia um grande grupo de pessoas que nos enviavam emails dizendo que as músicas os fizeram pensar. Muitos deles nos disse que eles voltaram para o Islã por causa de nossa música.

Se você escutou Soldados de Deus, você sabe sua solução para a crise que enfrenta hoje a nossa Ummah: o estabelecimento de uma nação islâmica que todos os muçulmanos seriam governados sob. Hoje, a visão do fundador é menos dramática: "Siga o caminho Islam, o Profeta (SAAS) se lhe seguiu. Hoje, tudo que você vê é o derramamento de sangue, matando, e no final do dia, você não tem nada, mas os corpos. As pessoas têm esse conceito de que a violência, guerra e vingança vai trazer a paz. Ele não. Quantos mais devem ser enterrar até que percebemos que nossa situação não mudará até que mude o que está dentro de nós mesmos ".

Eu sei que vocês todos estão querendo saber quando os soldados de Deus vai voltar, bem, provavelmente não vai acontecer: "Foi trazido algumas vezes, mas nenhuma ação tenha realmente sido levadas a pensar serio. Alguns irmãos se mudaram para cidades diferentes, se casaram, etc. Quando você é jovem e solteiro, você tem muito mais tempo ".

Mas tenho a certeza do legado de Soldados da vida em Deus. Os tempos são diferentes e a situação mudou desde então, mas o conceito de espalhar a mensagem do Islão vai continuar inshallah.

Fonte: Muslim H²


Jadel Gregório



Jade Abdul Ghani Gregório, ou como é mais conhecido, JADEL GREGÓRIO, é um dos principais atletas olímpicos do Brasil. Recordista brasileiro e sul-americano no salto triplo, Jadel reverteu-se ao Islam em 2005. Conheça um pouco mais a história deste irmão muçulmano: Jadel Gregório, um paranaense da cidade de Jandaia do Sul, nascido em 1980, não seguia o estereótipo do atleta ideal: gostava de baladas e tinha sérios problemas para manter a forma física. Como morava sozinho exagerava em algumas refeições e acabava abusando de pizzas e esfihas.

Garoto de infância humilde, Gregório trabalhou como pedreiro, office-boy e sorveteiro. Até hoje, o atleta lembra dos tempos difíceis e usa como motivação em treinos em competições.

Começou a ganhar destaque no atletismo brasileiro em 2001, quando conquistou a medalha de ouro na prova do salto triplo no Troféu Brasil de Atletismo. Desde então, repetiu o feito em 2002 e 2005. Em 2002, venceu também a prova do salto em distância na mesma competição.

Com o sucesso na carreira esportiva, Jadel já teve de trancar a matrícula em duas faculdades: educação física e publicidade. Contudo, ele pretende voltar a estudar assim que encerrar a carreira. Desta vez, pretende fazer fisioterapia.

Mas sua vida deu uma guinada radical quando conheceu a fisioterapeuta Samara Abdul Ghani, que assina hoje também Gregório e é sua mulher. Com ela, o triplista tem dois filhos: Jade e Sahara.

Um de seus melhores resultados foi observado nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, quando foi vice-campeão atrás apenas do norte-americano Kenta Bell. Com 22 anos, ele ainda tinha muito a evoluir. E provou isso em 2004. O atleta melhorou suas marcas significativamente e bateu várias vezes seu recorde pessoal. No Troféu Brasil, no início de junho, depois de ser vice-campeão mundial indoor, ele saltou 17,72m no estádio Ícaro de Castro Mello, que o deixou até pouco antes das Olimpíadas com a melhor performance do mundo no ano.

"Estou trabalhando muito forte e acredito que posso brigar por uma medalha de ouro em Atenas. Quero fechar a temporada que vem no primeiro lugar do ranking da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo)", contou. Mais tarde ele chegou a dizer que "pódio é certeza".

Pela marca obtida no Troféu Brasil, o atleta recebeu um quilo de ouro de seu patrocinador e mais meio quilo por causa do vice-mundial indoor, totalizando uma premiação de quase R$ 58 mil.

Ambicioso, Gregório embarcou para Atenas com a certeza que subiria ao pódio: ficou em quinto e sua vida começou a mudar novamente. Em março de 2005, seis meses após o início do namoro com Samara, Jadel casou com a fisioterapeuta de família muçulmana sunita.

Convertido ao islamismo, o triplista seguiu o exemplo do boxeador Cassius Marcellus Clay Jr., que mudou o nome para Muhammad Ali. Jadel tirou o "L" final do prenome e tornou-se Jade Abdul Ghani Gregório na carteira de identidade e no passaporte. A denominação antiga, porém, foi mantida para as competições.

Logo após o Mundial em Helsinque, no qual terminou em sexto lugar, trocou as preparações no Brasil para treinar na Inglaterra com Peter Stanley, ex-técnico do recordista mundial John Edwards. O primeiro filho, que leva o nome muçulmano do pai, nasceu no ano seguinte. A caçula Sahara nasceu em junho. No Grande Prêmio Brasil de Atletismo, realizado em Belém, em 20 de maio de 2007, Jadel Gregório quebrou o recorde sul-americano e brasileiro do salto triplo, conseguindo a marca de 17,90 metros. O recorde anterior foi conquistado 32 anos atrás por João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, que em 1975, nos Jogos Pan-americanos da Cidade do México, alcançou a marca de 17,89 metros, estabelecendo o então recorde mundial da prova.





” Eu nasci pobre. Fui criado sem pai. Fui pedreiro. Fui sorveteiro. Eu andava na rua e as pessoas mudavam de calçada. Eu me converti ao islamismo num país católico. Escolhi o salto triplo na terra do futebol."






'Eu podia ter desistido. Pare de arrumar desculpas.'
Jadel Gregório

Fonte: Cotidiano Capa

Leco Carvalho


Leco Carvalho




Iniciou sua carreira musical profissional em 1986 no município de Paracambi. Aos 15 anos já tocava em festivais e casas noturnas desta cidade e em outras proximidades. Em 1992 se muda para o Rio de Janeiro onde inicia os seus estudos na escola de música Villa Lobos, aprimorando mais ainda o dom que Deus lhe deu, fortalecendo nesta escola o canto popular e a teoria musical que o transformou em um multi-instrumentista. Tocou por várias casas conhecidas no Rio de Janeiro como o Canecão -


Mistura Fina, Hipódromo Up, Sacrilégio, entre outros. Atuou em alguns musicais como: Francisco de Assis, Comunittá e Santo Antônio do Brasil. Atualmente se dedica gravações, aulas e acompanhamento de artistas como baixista. O objetivo atual de Leco Carvalho (al Khidr) são as suas composições. Dono de uma voz aveludada e de uma extensão que atinge do baixo ao tenor, com uma boa presença de palco, adquirida com os anos de experiência.

Fez algumas participações como baixista e vocais com cantores de nome como: Ciro Barcelos, Pedro Luiz, Ricardo Graça Melo e Rita Ribeiro.

O seu repertório agrega canções espirituais islâmicas que alimentam a virtude e o amor.

Mais detalhes do artista islâmico e suas composições:

Contatos   21 9302 9843 

03/05/2010

O Jihad de cada um.



Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

Entre as representações do Islã construídas pela mídia ocidental e largamente difundida está a idéia do jihad como uma das cinco obrigações do crente (pilares da fé islâmica). Jornalistas mal informados e até mesmo “orientalistas” (especialistas que são tidos como conhecedores do mundo árabe-islâmico) relacionam "o esforço no caminho de Allah" - esta é a tradução mais próxima da palavra jihad - às ações terroristas de grupos como a Al-Qaeda e a opinião pública generaliza a atuação de grupos extremistas como algo determinante no islamismo. O fundamentalismo militante, que também existe entre os judeus e os cristãos, representa uma interpretação simplista e manipulada das religiões às quais esses grupos procuram se associar. Suas origens são bastante complexas e estão relacionadas ao colonialismo, a busca por identificação cultural, à pobreza e à ignorância, além dos conflitos políticos. De forma geral, entretanto, o objetivo do fundamentalismo religioso é sempre o mesmo: a implantação de um tipo específico de totalitarismo, contrário à essência de justiça e igualdade comum as três grandes religiões monoteístas.

Usada pela primeira vez no contexto dos preparativos que a comunidade muçulmana, em Medina, fazia para se defender das ameaças dos habitantes de Meca e dos beduínos do deserto, a convocação do Profeta Muhammad (que a paz e a benção de Allah estejam com ele) para o jihad assumiu a conotação imediata de "guerra santa". Ao escolher esta e não outra palavra - para expressar apenas o significado de luta armada, a língua no árabe tem os termos harb (guerra), sira'a (combate), ma'araka (batalha) - o Profeta referia-se a "um esforço físico, moral, espiritual e intelectual" em defesa da fé, não circunscrito àquele episódio, mas extensivo às práticas da comunidade e a formação individual dos muçulmanos. Um hadith (tradição) mostra que Muhammad (s.a.s), ao voltar de uma batalha, declarou: "Nós voltamos do jihad menor para o jihad maior". Ou seja, depois da luta contra os inimigos externos, há o esforço bem mais difícil de derrotar o mal e a descrença que existem dentro do coração de cada um.

As obrigações do crente, resumidas nos cinco pilares da fé islâmica, sinalizam esse esforço. Elas não incluem o jihad. A primeira é a profissão de fé (shahada), mediante a qual o crente reconhece que "Não há divindade a não ser Allah e Muhammad é o seu enviado", atesta sua confiança e sua submissão ao Único e Todo Poderoso (a shahada contêm duas partes: a primeira, comum a todas as religiões monoteístas; a segunda, especifica para os muçulmanos). O segundo pilar da fé é a prece (salat), pela qual se busca a orientação de Allah. O terceiro, a purificação dos bens (zakat), através de doações voluntárias para os necessitados ou obras meritórias, ato que não suprime a recomendação de dar esmolas (sadaga) e inclui, por extensão, à proibição da usura ou de outros lucros ilícitos à custa da comunidade. O jejum (siyyam) do mês de Ramadan, durante o qual se celebra o início das revelações do Alcorão e exercita-se o sentimento coletivo de proximidade com Allah, é o quarto pilar. O quinto é a peregrinação (hajj) a Meca, uma jornada física ao centro mundial da fé islâmica, de profundas conotações místicas para todos os crentes.

Os Pilares do Islã testemunham, em primeiro lugar, a Unicidade de Allah e a necessidade da submissão humana à Sua justiça. Eles atestam que os fiéis devem espelhar como indivíduos uma ínfima parte que seja, um pálido reflexo da luz e dos atributos divinos: à Unicidade de Allah corresponde à necessidade de concórdia entre os homens; à Justiça divina, as relações de igualdade social; a Misericórdia do Clemente, à responsabilidade para com os menos favorecidos... Prescritos pelo Profeta aos poucos e como elos unificantes da fé e da comunidade muçulmana que se formava, os Pilares contêm uma dimensão social. O Islã prega não apenas a edificação moral do indivíduo, mas também a construção de uma sociedade justa, decente e livre de opressões. Dentro dessa perspectiva, um muçulmano vê a militância política como algo que não contraria a religião.

O que parece estranho, ao cristianismo atual, é o Islã aceitar a possibilidade da "guerra justa". O Alcorão admite - sem hipocrisias - que a força, muitas vezes, é necessária à defesa do bem: "Se Allah não derrotasse os homens, uns pelos outros, a terra ficaria corrompida. Deus é generoso para com os mundos" (Sura 2:251). Essa admissão, entretanto, obriga o muçulmano a uma outra regra: a busca pelo fim rápido das hostilidades e pela reconciliação. Também está escrito que "se eles se inclinarem para a paz, inclina-te para ela também e confia em Deus. Ele ouve tudo e sabe tudo" (Sura 8:61), além da proibição registrada em várias passagens corânicas de agir contra àqueles que não atacam, não são eles mesmos os agressores nem ameaçam aos muçulmanos nem a fé islâmica. No ano de 627, quando Meca e seus aliados foram derrotados, Muhammad (s.a.s) preferiu a paz ao justiciamento dos não muçulmanos. A reconciliação quase lhe custou à confiança dos seus companheiros. Além disso, a agressividade é condenável e os mansos é que são chamados, no Alcorão, de "servos do Clemente" (Sura 25:63).

A evidência de que "o esforço no caminho de Deus" não pode ser expresso em atos terroristas, como querem os ideólogos do fundamentalismo islâmico, está no não atendimento em massa da convocação feita por Osama Bin Laden, no Afeganistão ou no Iraque. A maioria dos muçulmanos, entre árabes e não árabes têm consciência de quanto às ações e o ideário dos grupos terroristas estão longe do Islã. O significado original do jihad está relacionado à conquista da liberdade, a derrota do mal e dos opressores. Sem relação com agressões aos civis inocentes, destruição de propriedades e matanças indiscriminadas.


Carlos Peixoto

Jornalista

13/04/2010

Hip Hop Muslim (Muçulmano)






Miss Undastood começou a escrever com 11 de idade, a vida na escola era muito rigorosa então o rap era uma forma de escapismo. Ela começou a rimar cifras nas ruas de Nova York, e há batalhar na faculdade, se tornou a primeira mulher Battle Champion em 2003, trazendo um rap regular e secular, mas enquanto ela estava na faculdade na idade de 18 anos decidiu fazer lyrics.Back islâmica um estilo por Miss Undastood usado para o rap com Papoose nas ruas de Brooklyn . Começou há trabalhar para a equipe de rua da Rockafella Records e já se apresentou em clubes de todo o Estados Unidos. Ela tem colaborado com muitos artistas islâmicos.Com 18 anos em diante Miss Undastood formou o bloco dos escritores. Tudo em um estilo islâmico. "As pessoas não me entendem. Ela diz que, por isso seu nome Miss Undastood. No início havia o apoio de muçulmanos e não muçulmanos. Miss Undastood tem o apoio de muitos influentes Imans Islâmicos de Nova York e Califórnia. Sua inspiração no Islã é Malik Abdul. Ela gosta e respeita a sua simples palestras e estilo inovador.

Seu primeiro CD foi gravado em 2002. Recebeu elogios da crítica. "As pessoas estavam sentindo o CD". A imprensa não-muçulmanos logo aderiu, interessados em seu trabalho. Ela fez um programa de TV chamado Cover Girl - Vive Young Women's. Foi entrevistada pela BBC radio1Xtra e jovens do programa de notícias BBC Newsround. No Reino Unido, Miss Undastood tem uma base de fãs cada vez maior. Ela se apresentou em shows em Londres e Manchester, com Mecca2Medina, os planetas, Sheikhspeare, The Blind Alfabetos e as pérolas do Islã em 2004 e 2005. Aqui alguns trabalhos de Miss Undastood.

Acesse: - My Space Msundastood

09/04/2010

Circulo Palmarino




Fortalecer a resistência negra ao neoliberalismo!

O Círculo Palmarino é uma corrente nacional do movimento negro, criada em março de 2006, na cidade de Vitória – ES, que tem como objetivo combater o racismo e todas as suas manifestações concretas. Jovens lideranças e antigos lutadores anti-racistas do movimento negro, sindical e estudantil resolveram somar seus esforços em torno da construção de uma corrente nacional do movimento negro que fosse um pólo de luta contra o racismo e de resistência às políticas neoliberais aplicadas pelos governos de FHC e Lula.

O Círculo Palmarino possui como lema: FORTALECER A RESISTÊNCIA NEGRA AO NEOLIBERALISMO. Hoje, o Círculo Palmarino possui militantes organizados nos estados de SP, BA, ES, PA e RJ, em núcleos e pré-núcleos que possuem como objetivos reunir negros, negras e antiracistas, a partir de suas comunidades e espaços de atuação, e estabelecer canais permanentes de formação e mobilização política. Desta maneira, a corrente nacional do movimento negro, Círculo Palmarino, procura representar os interesses da comunidade negra, organizando-a e capacitando-a para a construção de uma sociedade sem racismo, sexismo e homofobia.

Atualmente, o Círculo Palmarino conta com núcleos e pré-núcleos organizados em São Paulo (na capital paulista: Guaianazes e Jabaquara; Embu das Artes; Osasco e Várzea Paulista); Rio de Janeiro (capital e Vassouras); Bahia (Salvador e Rio de Contas) e Pará (Belém). Na capital paulista, além de atividades de formação, o núcleo de Guaianazes organizou e mantém um curso pré-vestibular comunitário (Cursinho Resistência) que atende a mais de 60 jovens educandos.


Z'Africa Brasil e Jihad -Sarau Circulo Palmarino



A luta contra o racismo.

A superação do racismo está ligada à construção de uma nova sociedade. O capitalismo se consolidou a partir da experiência colonialista que submeteu a população negra da África à escravidão nas Américas, desagregando os seus meios de vida tradicionais e criando as condições sociais necessárias para a sua reprodução ampliada ao longo do planeta. No entanto, a implantação do sistema colonial encontrou forte resistência por parte dos povos escravizados que criaram diversas frentes de luta, dentre as quais, a mais importe foi a do Quilombo dos Palmares.

Desta maneira, existem limites para uma reparação histórica pela escravidão nos marcos do capitalismo contemporâneo (neoliberalismo) em que a exploração da mão de obra se tornou mais intensa e profunda, com o aumento do desemprego em função da modernização da indústria e da concentração de riqueza nas mãos de uma pequena elite racista. Como afirmou o líder negro Malcom X: “Não há capitalismo sem racismo”.

Por isso, o Círculo Palmarino assume uma identidade de corrente anticapitalista do movimento negro brasileira que tem como objetivo estratégico à construção de uma nova sociedade, sem exploração econômica, com justa distribuição da riqueza e sem racismo deverá ser construída por aqueles que formam a base de nossa sociedade e sempre foram excluídos dos processos de decisão política, ou seja, os negros e negras.
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Sede Nacional do Circulo Palmarino
Rua: Ouro Preto, 73 – Jardim Santo Eduardo – Embu – SP

CEP: 06823-110

Telefone:(11) 4149-9880

Correio eletrônico: circulopalmarino@yahoo.com.br

07/04/2010

"Olhares Femininos sobre o Islã"




Livro será lançado pela Editora Hucitec em São Paulo

Organizado pela antropóloga e pesquisadora Francirosy Campos Barbosa Ferreira, “Olhares Femininos sobre o Islã – Etnografias, Metodologias, Imagens” reúne em 12 capítulos, ensaios, imagens, temas de dissertações e teses que tem como foco o universo feminino nas comunidades muçulmanas, tanto dentro como fora do Brasil.


Pela primeira vez, um livro reúne as principais pesquisadoras brasileiras do islamismo no país. E o que o torna único é exatamente o que une os seus diferentes capítulos: o espaço reservado à pesquisadora, em sua concepção de identidade, diante do “outro”, o pesquisado. Desta forma, Francirosy realiza uma “antropologia da antropologia”, transformado as próprias autoras convidadas em objetos de estudo, pesquisando suas teorias e metodologias para saber de que forma elas lidam com questões como a mulher muçulmana, os motivos que as levaram a estudar o Islã ou os desdobramentos decorrentes de suas trajetórias e trabalhos produzidos.

“A escolha dessas pesquisadoras deve-se ao fato da familiaridade que tenho com os seus trabalhos, e por considerar que a experiência e a trajetória de cada uma é significativa o bastante para construir a temática da pesquisa. Trata-se de mulheres que tem em comum o Islã como objeto, mas que apresentam recortes completamente diferentes, como identidade, (i)migração, conversão e gênero”, explica a organizadora.

Ao tratar de temas tão difundidos e atuais, “Olhares femininos...” instiga não apenas especialistas e estudiosos, mas toda e qualquer pessoa atenta às condições da vida contemporânea, que busca um conhecimento mais amplo e detalhista sobre o Islã e os muçulmanos.

Assim, o leitor se surpreenderá ao encontrar comunidades islâmicas em cidades como São Paulo, Brasília, Florianópolis e Rio de Janeiro, além de constatar como o Islã pode ser estudado através de métodos diferentes, como: o do observador participante, o das histórias de vida, a fotografia, o cinema e as interrelações culturais, e como as mulheres preservam ou alteram os padrões culturais e religiosos na condição de imigrantes ou de retorno ao país de origem.

“Olhares femininos sobre o Islã” é fruto do projeto da autoria de Francirosy Campos Barbosa para o Prodoc/ Capes (Programa de Apoio a Projetos Institucionais com a Participação de Recém-Doutores), intitulado “Pesquisadoras performers: olhando para o feminino no Islã”.


Sobre a organizadora: Francirosy Campos Barbosa

Antropóloga, bolsita do Prodoc e professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes/Unicamp. É pesquisadora do Gravi (Grupo de antropologia visual); Napedra (Núcleo de antropologia, Performance e Drama), e Álif (Arte, antropologia e Performance do Islã Histórico e Contemporâneo/Ufpa), membro do Naci (Núcleo de Antropologia em Contextos Islâmicos – do CRIA – Centro de Investigação em Antropologia/ ISCTE, Lisboa).

Ficha Técnica: Editora: Hucitec

Tiragem: 1.000 exemplares

Preço: 45,00

Número de páginas: 287 pp

Locais de venda:
Livraria Cultura e Editora Hucitec tel: 5093 0856

ISBN: 978-85-7970-025-5


05/04/2010

'Caminhos do Islã '




Brasileiras sem ascendência árabe, Latifa, Samira e Andréia vivem na comunidade muçulmana da gaúcha Passo Fundo... e Luana, Elisângela e Dona Ilma, que cruzam o Viaduto Santa Ifigênia, no centro da capital paulista, são militantes da religião na Grande São Paulo.


Por trás do véu, um novo perfil de mulher islâmica Chamadas de “mulher-bomba” nos ônibus metropolitanos, elas começam a alterar o cenário urbano .Ela é “Dona” Ilma. E tão dona que o dela merece maiúscula e já se integrou ao nome. Não por acaso, é a que lidera a fila na foto. Como ela mesma diz, abriu seu espaço com “punhos e conhecimento”. Ilma Maria Vieira Kanauna é uma das pioneiras no movimento islâmico afro-brasileiro, em São Paulo. Aos 53 anos, convertida há mais de duas décadas, é tratada com um temor respeitoso, porque Dona Ilma é mulher braba. Nada mais distante dela que o estereótipo da mulher árabe submissa, sempre dentro de casa, que resiste no imaginário ocidental como a realidade única da mulher no islã. Sua cartilha é a das malês, mulheres ativas no levante escravo de 1835. “A América foi edificada sobre os ombros dos homens negros e o ventre das mulheres negras”, diz com solenidade. “E o islã é o espelho em que eu me vi refletida.” Dona Ilma é filha de uma “tradicional família negra”, de origem matriarcal. Até os 6 anos, se criou numa área de quilombo, em Minas Gerais. Lembra a avó e a mãe sempre vestidas de preto, rezando com a janela aberta e mandando nos homens e no curso da vida. Quando a mãe morreu de parto, o pai se mudou, e ela ainda hoje diverte-se com a memória dos primeiros brancos que surgiram no seu campo de visão. “Eu e meu irmão achávamos que eram lobisomens”, diz. “Nos chamavam pra brincar, e a gente se escondia achando que iam nos comer.”

Algumas aventuras mais tarde, porque a vida de Dona Ilma dá mesmo um romance, acabou filha adotiva de uma família de descendentes de alemães, com quem ainda hoje vive e se entende bem. Primeiro tornou-se comunista, depois muçulmana. É educadora por vocação e, por convicção, só trabalha em escolas de periferia. Compara o 11 de setembro a “uma mulher que passa a vida apanhando e um dia dá 11 tiros no marido”. E acredita que a violência no Brasil, da qual já foi vítima, é a forma de as minorias sem identidade e futuro pedirem socorro. “Nossas crianças estão perdidas, escrevendo Joaquim com ‘n’ e não se reconhecendo em espelho algum”, diz.

A testa lisa de Dona Ilma só é contraída por uma ruga quando fala sobre a nova geração de muçulmanos. “O islã sempre trouxe cidadania para as minorias. E as periferias são as senzalas de hoje. Mas as novas gerações têm muito punho ainda, tenho medo que acabem sendo segregacionistas”, afirma. “Não precisamos mais de um discurso de raça, precisamos de cidadania. Acredito, porém, que é um ritual de passagem. Quando me converti, também era muito radical. Vamos deixar eles gritarem um pouco.”

Na foto, ela é seguida por Elisângela Résio, de 31 anos, e Luana de Assis, de 28. Há quatro, Luana trocou a vida de “balada de segunda a segunda” e um figurino hip-hop para se tornar muçulmana. Elisângela se converteu em maio, no dia em que casou com o rapper Leandro Arruda, que conheceu num show dos Racionais MC’s. Até pouco tempo, um início de romance inusitado para uma muçulmana. “O que você acha de Jesus?”, ele perguntou. Tudo começou a dar certo quando ela disse que Jesus era um profeta – e não o filho de Deus.

Como qualquer trabalhadora, elas pegam ônibus e trens lotados de segunda a sexta- -feira, da Grande São Paulo para a capital, e vice-versa. Nas ruas, já se habituaram a ser chamadas de “mulher-bomba” ou “prima do Bin Laden”. “O povo não está acostumado a ver muçulmanas sacolejando em ônibus e trens como qualquer mulher que precisa trabalhar”, diz Luana. “Confundem religião com cultura, acham que todo muçulmano é árabe e toda muçulmana só fica em casa.”

Fiel às rimas de sua geração, Elisângela dá um conteúdo político próprio à indumentária islâmica. “A mídia impõe que brasileira tem de andar de minissaia ou shortinho, meio pelada. É a imposição de um estereótipo que as mulheres seguem desde criança sem nem se dar conta”, diz. “Por que minha roupa de muçulmana chama a atenção dentro do trem e a menina seminua não?” A própria Elisângela responde: “ Porque estou fora dos padrões que a mídia impõe, tenho identidade própria, fiz minha escolha”.

Elisângela afirma que conseguiu até parar de fumar. Só demorou a aceitar que o marido possa ter outras mulheres – “direito” pouco exercido no Brasil, que pune a bigamia no Código Penal. Depois de embates internos, ela capitulou. “É um direito dele. Quem sou eu para discordar do Alcorão? ”, diz. “Prefiro que tenha uma segunda mulher do que me traia. O homem tem necessidades.”

Essa mesma mulher traz na cabeceira O capital, de Karl Marx, e diz admirar Che Guevara com fervor revolucionário.

Do Rio Grande Para Meca







DO RIO GRANDE PARA MECA
Muhammad (de camisa listrada) é líder religioso de uma das mais organizadas comunidades do interior do país.


Muhammad foi ao cinema e se converteu.
Hoje, ele prepara “a base de um levante cultural”, com migrantes nordestinos e gaúchos sem-terra, em Passo Fundo.

Nivaldo Florentino de Lucena recebeu a dica de um amigo: “Tem um filme com a história de um negão que é da hora!”. O “negão” era Malcolm X. O filme era a biografia do ativista americano, dirigida por Spike Lee. Numa sessão lotada de rappers, Nivaldo, da Zona Leste de São Paulo, concluiu que o negão era da hora mesmo. Filho de uma mãe que, no censo do IBGE, se declarava “branca” e de um pai que se anunciava “pardo”, ele pertencia à geração que tinha certeza de que eram todos “negros”. Saiu do cinema decidido a encontrar uma mesquita. Era 1992. Muhammad trocou a bebida, as drogas e os pequenos crimes pelo Alcorão. Anos mais tarde, se formou em teologia islâmica na Líbia. Em 2002, desembarcou na gaúcha Passo Fundo, cidade de colonização europeia, onde loiras naturais são tão corriqueiras como o chimarrão. Tinha duas metas sob a takiah muçulmana: assumir um posto numa multinacional de frangos halal (abatidos segundo a prescrição islâmica) e divulgar o islã.

Quando Muhammad Lucena chegou, havia três famílias muçulmanas de origem árabe. Hoje, ele conta mais de 40, a maioria composta de trabalhadores da empresa. Muhammad se tornou o imã, líder religioso, de uma comunidade com um perfil inédito: migrantes nordestinos que chegaram ao sul como mascates e gaúchos que trocaram a zona rural pela periferia da cidade. No caso de Passo Fundo, o islã disputa, no campo religioso, com a Igreja Católica e com as neopentecostais evangélicas. No campo político, com o MST. “Sempre fui peão e, como negro, fui vítima de muito preconceito aqui no Rio Grande”, diz Valdivino Bueno da Silva. “Tinha intenção de virar sem-terra, como o meu irmão, mas acabei ficando por aqui e me convertendo.” Em 2005, aos 24 anos, ele conseguiu vencer o alcoolismo e virou Abdallah.

Tornou-se “irmão” no islã de João Paulo Silva, que deixou o sertão do Ceará para vender artigos de cama e mesa pelas ruas de Passo Fundo. “Gaúcho chama todos os nordestinos de baiano”, diz. “Era uma vida sofrida.” Aos 20 anos, mudou de sina, adotou o nome de Jaber e virou um obstinado divulgador do islã. Converteu a mulher, irmã de um pastor da cidade. E também os sogros, que abandonaram a crença evangélica e vieram do interior do Paraná para ficar perto da comunidade islâmica de Passo Fundo, em franca expansão. Ela já tem um cemitério e o terreno da futura mesquita, doado pelo governo do Kuwait.

Muhammad, de 33 anos, casado com uma branca e pai de cinco filhos, defende um islã para todas as cores e raças. Na Líbia, conheceu Louis Farrakhan, mas não simpatiza com as “ideias radicais” do líder da Nação do Islã. Ele crê, porém, que o Brasil vive “uma nova revolução islâmica”. “Há focos do islã borbulhando em toda parte. Existem hoje brasileiros estudando na África, na Ásia e no Brasil para fazer a inserção de muçulmanos em órgãos-chave”, diz. “Já temos a base pronta, com os mais pobres. Só nos falta um líder para ter um levante. Não armado, mas cultural.”

Islã cresce na periferia das cidades do Brasil



Carlos Soares Correia virou Honerê Al-Amin Oadq. Ele é um dos principais divulgadores muçulmanos do ABC paulista. Na foto, na periferia de São Bernardo do Campo, onde vive, reza e faz política.

Jovens negros tornam-se ativistas islâmicos como resposta à desigualdade racial. O que pensam e o que querem os muçulmanos do gueto.

Cinco vezes ao dia, os olhos ultrapassam o concreto de ruas irregulares, carentes de esgoto e de cidadania, e buscam Meca, no outro lado do mundo. É longe e, para a maioria dos brasileiros, exótico. Para homens como Honerê, Malik e Sharif, é o mais perto que conseguiram chegar de si mesmos. Eles já foram Carlos, Paulo e Ridson. Converteram-se ao islã e forjaram uma nova identidade. São pobres, são negros e, agora, são muçulmanos. Quando buscam o coração islâmico do mundo com a mente, acreditam que o Alcorão é a resposta para o que definem como um projeto de extermínio da juventude afro-brasileira: nas mãos da polícia, na guerra do tráfico, na falta de acesso à educação e à saúde. Homens como eles têm divulgado o islã nas periferias do país, especialmente em São Paulo, como instrumento de transformação política. E preparam-se para levar a mensagem do profeta Maomé aos presos nas cadeias. Ao cravar a bandeira do islã no alto da laje, vislumbram um estado muçulmano no horizonte do Brasil. E, ao explicar sua escolha, repetem uma frase com o queixo contraído e o orgulho no olhar: “Um muçulmano só baixa a cabeça para Alá – e para mais ninguém”.

Honerê, da periferia de São Bernardo do Campo, converteu Malik, da periferia de Francisco Morato, que converteu Sharif, da periferia de Taboão, que vem convertendo outros tantos. É assim que o islã cresce no anel periférico da Grande São Paulo. Os novos muçulmanos não são numerosos, mas sua presença é forte e cada vez mais constante. Nos eventos culturais ou políticos dos guetos, há sempre algumas takiahs cobrindo a cabeça de filhos do islã cheios de atitude. Há brancos, mas a maioria é negra. “O islã não cresce de baciada, mas com qualidade e com pessoas que sabem o que estão fazendo”, diz o rapper Honerê Al-Amin Oadq, na carteira de identidade Carlos Soares Correia, de 31 anos.
“Em cada quebrada, alguém me aborda: ‘Já ouvi falar de você e quero conhecer o islã’. É nossa postura que divulga a religião. O islã cresce pela consciência e pelo exemplo.”

Em São Paulo, estima-se em centenas o número de brasileiros convertidos nas periferias nos últimos anos. No país, chegariam aos milhares. O número total de muçulmanos no Brasil é confuso. Pelo censo de 2000, haveria pouco mais de 27 mil adeptos. Pelas entidades islâmicas, o número varia entre 700 mil e 3 milhões. A diferença é um abismo que torna a presença do islã no Brasil uma incógnita. A verdade é que, até esta década, não havia interesse em estender uma lupa sobre uma religião que despertava mais atenção em novelas como O clone que no noticiário.

O muçulmano Feres Fares, divulgador fervoroso do islamismo, tem viajado pelo Brasil para fazer um levantamento das mesquitas e mussalas (espécie de capela). Ele apresenta dados impressionantes. Nos últimos oito anos, o número de locais de oração teria quase quadruplicado no país: de 32, em 2000, para 127, em 2008. Surgiram mesquitas até mesmo em Estados do Norte, como Amapá, Amazonas e Roraima.

Autor do livro Os muçulmanos no Brasil, o xeque iraquiano Ishan Mohammad Ali Kalandar afirma que, depois do 11 de setembro, aumentou muito o número de conversões. “Os brasileiros tomaram conhecimento da religião”, diz. “E o islã sempre foi acolhido primeiro pelos mais pobres.”

Na interpretação de Ali Hussein El Zoghbi, diretor da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil e conselheiro da União Nacional das Entidades Islâmicas, três fatores são fundamentais para entender o fenômeno: o cruzamento de ícones do islamismo com personalidades importantes da história do movimento negro, o acesso a informações instantâneas garantido pela internet e a melhoria na estrutura das entidades brasileiras. “Os filhos dos árabes que chegaram ao Brasil no pós-guerra reuniram mais condições e conhecimento. Isso permitiu nos últimos anos o aumento do proselitismo e uma aproximação maior com a cultura brasileira”, afirma.

Eles trazem ao islã a atitude hip-hop e a formação política do movimento negro.
A presença do islã na mídia desde a derrubada das torres gêmeas, reforçada pela invasão americana do Afeganistão e do Iraque, teria causado um duplo efeito. Por um lado, fortalecer a identidade muçulmana de descendentes de árabes afastados da religião, ao se sentir perseguidos e difamados. Por outro, atrair brasileiros sem ligações com o islamismo, mas com forte sentimento de marginalidade. Esse último fenômeno despertou a atenção da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, que citou no Relatório de Liberdade Religiosa de 2008: “As conversões ao islamismo aumentaram recentemente entre os cidadãos não-árabes”.

Os jovens convertidos trazem ao islã a atitude do hip-hop e uma formação política forjada no movimento negro. Ao prostrar-se diante de Alá, acreditam voltar para casa depois de um longo exílio, pois as raízes do islã negro estão fincadas no Brasil escravocrata. E para aflorar no Brasil contemporâneo, percorreram um caminho intrincado. O novo islã negro foi influenciado pela luta dos direitos civis dos afro-americanos, nos anos 60 e, curiosamente, por Hollywood. Cruzou então com o hip-hop do metrô São Bento, em São Paulo, nos anos 80 e 90. E ganhou impulso no 11 de setembro de 2001.






ATIVISTAS
O grupo de Malik (à esq.) e Sharif sonha com um estado islâmico no Brasil, quer construir uma comunidade muçulmana na periferia e levar a religião aos presos nas cadeias.

Para contar essa história é preciso voltar a 1835, em Salvador, na Bahia, onde a revolta dos malês, liderada por negros muçulmanos, foi a rebelião de escravos urbanos mais importante da história do país. Pouco citada nos livros escolares, depois de um largo hiato ela chegou às periferias pela rima do rap. Lá, uniu-se ao legado do ativista americano Malcolm X, assimilado pela versão do filme de Spike Lee, de 1992. E ao 11 de setembro, que irrompeu na TV, mas foi colado às teorias conspiratórias que se alastram na internet.

É esse o islã que chega para os mais novos convertidos. E com maior força em São Paulo, porque a capital paulista foi o berço duro do hip-hop no Brasil – movimento histórico de afirmação de identidade da juventude negra e pobre. A tentacular periferia paulista é, como dizem os poetas marginais, a “senzala moderna”. E cada novo convertido acredita ter dentro de si um pouco de malê. Não é à toa que Mano Brown, o mais importante rapper brasileiro, mesmo não sendo muçulmano, diz no rap “Mente de vilão”: No princípio eram trevas, Malcolm foi Lampião/Lâmpada para os pés/Negros de 2010/Fãs de Mumia Abu-Jamal, Osama, Saddam, Al-Qaeda, Talibã, Iraque, Vietnã/Contra os boys, contra o GOE, contra a Ku-Klux-Klan.

“Fico assustado com a linguagem desses rappers, mas não tem mais jeito. Alastrou. Depois que o fogo pega no mato, vai embora. O islã caiu na boca da periferia. E não sabemos o que vai acontecer. É tudo por conta de Alá”, diz Valter Gomes, de 62 anos. Ele parece mais encantado que temeroso. Nos anos 90, “advogou” diante das organizações do movimento negro do ABC paulista e dos guetos de São Paulo com grande veemência. Defendeu que a salvação para os afro-brasileiros era a religião anunciada por Maomé quase 15 séculos atrás: “Irmãos, vocês estão querendo lutar, mas não têm objetivo. Trago para vocês um objetivo e uma bandeira. O objetivo é o paraíso, a bandeira é o islã”.

Essas palavras encontraram material inflamável no coração de alguns rappers, que há muito procuravam um caminho que unisse Deus e ideologia. Enquanto o islamismo soou como religião étnica, trazida ao Brasil pelos imigrantes árabes a partir da segunda metade do século XIX, não houve identificação. Mas, quando o movimento negro, e depois o rap, difundiu a revolta dos malês como uma inflexão de altivez numa história marcada pela submissão, a religião passou a ser vista como raiz a ser resgatada. Os jovens muçulmanos dizem que não se convertem, mas se “revertem” – ou voltam a ser. Para eles, a palavra tem duplo significado: recuperar uma identidade sequestrada pela escravidão e pertencer a uma tradição da qual é possível ter orgulho.

As igrejas evangélicas neopentecostais, que surgiram e se multiplicaram a partir dos anos 80, com grande penetração nas periferias e cadeias, não tinham apelo para jovens negros em busca de identidade e sem vocação para rebanho. “Na igreja evangélica da minha mãe, me incomodava aquela história de Cristo perdoar tudo. Eu já tinha apanhado de polícia pra cacete. E sempre pensava em polícia, porque o tapa na cara é literal. Então, o dia em que tiver uma necessidade de conflito, vou ter de virar o outro lado da cara?”, diz Ridson Mariano da Paixão, de 25 anos. “Eu não estava nesse espírito passivo. Pelo Malcolm X, descobri que, no islã, temos o direito de nos defender. Deus repudia a violência e não permite o ataque, mas dá direito de defesa. Foi esse ponto fundamental que me pegou também quando eu vi pela TV o 11 de setembro e achei que o mundo ia acabar.”

Eles se inspiram em Malcolm X e acreditam que o 11 de setembro divulgou o islã entre os oprimidos Ridson tornou-se Dugueto Sharif Al Shabazz em 2005. Seu nome é uma síntese histórica da trajetória do islã na periferia brasileira. Ridson, o nome que deixou, foi escolhido pelo pai, um negro que gostava de piadas racistas. Dugueto é o nome do rap, para marcar a origem do gueto. Sharif é o nome do personagem de um filme de gângsteres. Shabazz foi tirado do nome islâmico de Malcolm X.

Essa geração também não perdoa ao catolicismo sua omissão no período da escravidão africana. “Minha família é católica, mas comecei a investigar a história e descobri que a Igreja deu sustentação à escravidão. Diziam que os negros não tinham alma”, afirma Honerê. “Sem contar que Jesus era branco, os anjos eram brancos. E tudo o que era ruim era negro. Aí eu pensava: ‘Então tudo o que é ruim vem de mim?’. Isso parece pequeno, mas na cabeça de um adolescente maltrata, faz com que a gente se torne ruim, viva uma vida ruim. Então conheci o islã.”

Honerê tornou-se um dos principais divulgadores da religião no ABC paulista. Ele é dirigente do Movimento Negro Unificado (MNU) e funcionário do Centro de Divulgação do Islam para a América Latina (CDIAL). Para ele, como para a maioria dos muçulmanos negros, não faz a menor diferença que raça não exista como conceito biológico. Raça é um conceito cultural, que determinou todas as assimetrias socioeconômicas que determinaram sua vida e hoje representa um elemento fundamental na construção de sua identidade, inclusive a religiosa. Ele narra com clareza como Carlos Soares Correia transformou-se em Honerê Al Amin Oadq, em meados dos anos 90:

– Minha mãe era doméstica em casa de branco, muitas vezes foi chamada de “negra infeliz”. Eu percebia que, no sistema de saúde e a todo lugar que eu ia, só gente da minha cor passava por dificuldades. Eu mesmo já levei coronhada da polícia sem justificativa, já defendi mulher negra no metrô, porque branco bêbado achava que era prostituta. Não tem um negro neste país que não tenha uma história de discriminação para contar. Então fui em busca da minha história. Era o tempo em que o rap era música de preto para preto. E o rap me apresentou Malcolm X. Aos 14, 15 anos, ele se tornou a minha grande referência político-racial. Depois descobri a história dos malês. Eles estavam num nível diferente se comparar com os outros negros da senzala. Não bebiam, não fumavam, sabiam escrever, eram instruídos. Se tivessem conseguido tomar a Bahia naquele 25 de janeiro de 1835, teriam o país em suas mãos, e o Brasil seria um estado islâmico.